quinta-feira, 10 de setembro de 2009

estragos.

Lá estava ela. olhos inchados, maquiagem borrada. As lagrimas ainda umedeciam seu rosto alvo.
- Meu Deus, por favor, tire isso do meu coração... - ela suplicava.
Ninguém parecia se importar, talvez Ele se importasse. Não que ela necessariamente acreditasse Nele, mas uma garota com o coração partido já não está lúcida suficientemente para escolher no que acreditar.

Desespero. talvez seja essa a apalavra. um misto de medo, angustia, insegurança. Tudo isso, mais duas garrafas de vodca.
ela apoiou-se na pia, fixando o olhar no espelho. não reconhecia a mulher destruída que seu reflexo insistia em mostrar.
- Como isso aconteceu comigo?
Em um lapso, sua mente clareou e logo em seguida escureceu.
É, o problema era ele. Ele estava logo ali, depois da porta do banheiro, com outra. não, ela não pode aguentar. sentiu seu estomago rasgar de dor, ela sentia que ia explodir. mas não explodiu. não. não seria tão fácil assim escapar.

abaixou-se para respirar, mas sentiu a vodca subir na garganta. nem teve tempo de se mover, vomitou ali mesmo.
queria que todas as suas impurezas e toda a podridão que o amor causou à sua pobre alma tivessem sido jogados para fora do corpo, junto com a vodca. mas sabia que o que sentia não cabia a seu corpo expelir.
limpou a maquiagem manchada e calçou os saltos, mas seus medos continuavam ali. lavou o rosto e ergueu-se, torcendo para que da próxima vez, seu coração vomitasse.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Realidade poética

"Não é que o mundo seja só ruim e triste. É que as pequenas notícias não saem nos grandes jornais. Quando uma pena flutua no ar por oito segundos ou a menina abraça o seu grande amigo, nenhum jornalista escreve a respeito. Só os poetas o fazem." (Rita Apoena)



A realidade pode ser mais bonita, se a gente parar de pensar em tudo ao mesmo tempo e prestar atenção nos detalhes. Não que devamos viver na fantasia de que tudo é poesia, o mundo todo é lindo e belo... mas nós perdemos a cada dia a oportunidade de transformar a realidade da rotina em poesia cotidiana. 
Como aquele casal de velhinhos andando devagarzinho na rua... e você ficou tão brava com a lerdeza deles que nem reparou na beleza daquele caminhar. A senhorinha ajudava seu companheiro a caminhar e ele se apoiava nela. O que você chamou de 'lerdeza', nada mais era que um companheirismo de anos, estampado ali, na sua frente. As pessoas dizem que amor, amizade, carinho... são sentimentos abstratos, não podemos ver ou tocar. Mas então o que era aquela cena? Era poesia... era amor, carinho, cuidado, atenção... e você nem reparou.


Serei breve. Não quero falar demais, não quero saber de politicos, desemprego, corrupção... Desculpem-me, mas hoje não. Não quero realidade hoje. Quero só que você pare pra pensar na beleza do dia que amanhece, no onibus que passa correndo e assusta um passarinho que corre pro ninho pra proteger seus filhotes. Hoje quero que você pense menos como jornalista e acorde pra viver um dia de poeta.


segunda-feira, 13 de abril de 2009

Falta.


Flores, perfumes e cheiros
E despedidas, faltas e medos
Onde está você?
Sua ausência já me fez mal suficiente.
Onde está você?


Senta. Pára. Fecha a porta.
Fica mais um pouco, aquieta tua alma.
Vem para preencher esse vazio
Não me deixe mais sentir tua falta.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Espera

a porta à sua espera

o relógio parado
tudo vazio
coração, mente, alma e todo meu ser
v a z i o s.
a estrela que brilha sozinha no céu hoje é mais bonita
eu lhe fiz um pedido,
ah sim! eu fiz...

eu vou deixar aquela porta aberta
e não vou mais encarar o relógio
talvez as horas passem
talvez os dias mudem
e quem sabe, talvez você volte.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Solidão

Solidão é mesmo uma palavra triste. Por si só. Dá até medo de pronunciar. Quando você sente ela sair, parece até que ela é capaz de impregnar-se em você. Por isso mesmo, as pessoas a evitam. Mas as pessoas se enganam. Solidão não há como evitar.
Podem haver milhares de pessoas à sua volta, mas você se sente só. Nessas horas a gente só quer mastigar isso, mastigar solidão. É como sentir falta de algo que nem mesmo vc sabe dizer o quê. Aí que está: é como se você nunca tivesse tido nada nem ninguém. É como se fosse só você dando a cara a tapa pro mundo como se isso fosse demonstrar coragem. Mas você toma todos os tapas que o mundo resolve te dar e descobre que você não é nada corajoso, você só tem medo. Medo de não correr o risco. Você sempre se arrisca, e sempre erra. Confia nas pessoas erradas e é incapaz de sorrir para as pessoas certas. 
Ah, se pelo menos vc soubesse quem  são as pessoas certas... aliás certeza é uma coisa que você nunca tem. mas quem disse que eu quero ter certeza? tudo que você quer é... querer. querer que tudo dê certo, querer ter amigos de verdade, querer amar alguém e ter a certeza do quanto isso é recíproco, querer... ser feliz! mas você nem sabe o que precisa pra ser feliz! A verdade é nua e crua: você nunca está feliz com a sua felicidade. Acredite, você é feliz. Mas não sabe, não sente isso dentro de você. E aí se sente... sozinho.
Ainda assim, é incrível como é mais fácil enxergar o outro e não você mesmo. Você não quer olhar pra você e se decepcionar com o que vir. Não quer olhar lá no fundo e descobrir que você é uma pessoa solitária, porque pessoas solitárias são tristes e você não quer ser mais uma pessoa triste no mundo. Então você prefere olhar o outro. E você não diz o que sente e nem faz questão. e continua se sentindo assim, sozinho. As pessoas precisam aprender que não precisam ir muito longe, nem falar demais para achar felicidade.


Solidão não é não ter ninguém ao lado para conversar, passear ou namorar; isso é carência. Solidão também não é o sentimento causado pela ausência de alguém muito querido que talvez nunca mais volte; isso é saudade. Solidão não é quando nós nos retiramos de nós mesmos para alinhar os pensamentos; isso é equlíbrio. Solidão é muito mais. Solidão, solidão de verdade, é quando nos perdemos de nós mesmos, e procuramos em vão pela nossa alma.